A 5 de abril de 2013, ou seja antes de ser conhecida a decisão do TC, o yield (taxa de juro implícita) dos títulos de dívida portuguesa a dez anos, cotavam-se em 6,36%.
A 8 de abril de 2013, ou seja, no primeiro dia útil seguinte ao da comunicação do acórdão do TC, o yield dos títulos de dívida portuguesa a dez anos, cotavam-se em 6,41%.
Ou seja, o custo da decisão do TC é de 0,05%, correspondendo à diferença entre a taxa de juro após e antes de conhecida aquela decisão.
Parece pouco, mas não é. Aquele diferencial aplicado ao stock de dívida pública do Estado Português são muitos milhões de euros de juros a mais.
Não se trata de juros que iremos pagar a mais, dirão alguns, dado referir-se apenas ao stock de dívida já emitida. Mas é certamente um acréscimo no custo de futuras emissões. Ou melhor dito, é certamente mais uma pedra no sapato dos portugueses para conseguirem-se livrar da Troyka mais cedo, e, porventura, até ser equacionado a necessidade de um novo resgate.
Mas se a taxa de juro (yiled) não subiu mais, foi apenas por que o governo português teve a coragem de publicamente, anunciar que o decréscimo de despesa, pela via dos salários, agora impossibilitada pelo acórdão do TC, será substituída por outras medidas de contenção da despesa.
E pensarão alguns funcionários públicos desatentos. Mas é melhor assim por que não vão ao meu ordenado.
Pois é. Mas quando tiver que pagar mais pelos cuidados médicos, pela educação dos seus filhos, e por outros serviços públicos, já vai ver que o seu bolso vai ficar mais reduzido. Por outro lado, não se esqueçam os funcionários públicos que a ADSE é privilégio deles mas custeado, em, parte pelo contribuintes do setor privado.
E se o Estado se lembrar de equilibrar a receita e os custos da ADSE, das duas uma:
1) ou aumentão substancialmente a contribuição dos funcionários públicos para o custeito e manutenção desse sistema; ou,
2) pura e simplesmente acabam com ele e igualam as regalias dos funcionários públicos ao dos privados.
Este blog pretende apresentar algumas reflexões sobre a política e economia portuguesa e não só .......
segunda-feira, 8 de abril de 2013
sexta-feira, 8 de março de 2013
SALÁRIO MÍNIMO
Muito se tem falado sobre a necessidade de aumentar o salário mínimo. A oposição e os sindicatos estão entre aqueles que advogam a subida do salário mínimo, em contraposição ao governo e supostamente a Troyka, que advogam a manutenção do valor atual.
Mas que argumentos se podem apontar a cada uma das posições defendidas ?
Aqueles que advogam o aumento do salário mínimo defendem que uma tal medida permitiria injetar na economia uma massa significativa de dinheiro, e, por conseguinte, proporcionaria o aumento do consumo interno, ajudando assim a estimular a economia.
Para os defensores desta medida, o acréscimo do salário mínimo, não traria perdas significativas de produtividade das empresas, e, os ganhos com o estímulo económico permitiriam mesmo ultrapassar eventuais aspetos negativos da medida.
Então, por que é que uma tal medida pode se revelar contraprudecente na ótica do governo ?
Analisemos então a situação.
A esmagadora maioria dos assalariados, que ganham o salário mínimo, trabalham em empresas pequenas, com baixos níveis de produtividade, e em situação económica e financeira instável ou periclitante. Ou seja, mesmo para pequenos acréscimos de custos, o risco de insolvência para estas empresas, iria aumentar significativamente. As grandes empresas e as que têm níveis de produtividade elevados, raramente empregam trabalhadores com base no salário mínimo.
Quer isto dizer que, um aumento do salário mínimo, iria colocar em risco precisamente aquelas empresas que mais dificuldades têm, e que poderiam, no curto prazo, evidenciar um risco de insolvência maior. Uma tal situação, colocaria mesmo em risco muitos postos de trabalho, para além de não estimular qualquer acréscimo na contratação de novos trabalhadores.
Em resumo, numa situação em que o nível de desemprego é preocupante, o aumento do salário mínimo poderia aumentar ainda mais o nível de desemprego, em vez de aumentar o nível de empregabilidade, resultante de um evnetual estímulo económico interno.
É curiso verificar que na Alemanha, precisamente o país com maior nível de competitividade na Europa, não é fixado administrativamente qualquer salário mínimo. Os salários são fixados pelas empresas, atendendo ao nível de competividade que as mesmas têm, e que é comportável com a sua dinâmica empresarial.
Se é certo que acréscimos salariais também servem para forçar as empresas a investirem em novos modelos de negócio, por forma a obterem ganhos de produtividade que compensem os aumentos de custos laborais, na situação atual, de escassez de capitais para investimento, os aumentos salariais dificilmente teriam esse efeito.
No momento atual, em que ainda há setores de atividade dinâmicos, melhor seria que os sindicatos reivindicassem melhorias salariais naqueles cujos níveis de produtividade são compatíveis com aumentos de salários. Tal como os cortes cegos na despesa podem-se revelar dessatrosos, também os aumentos cegos do salário mínimo poderão revelar-se contraprudecentes, tendo um efeito contrário ao pretendido, ou seja a promoção do emprego.
Mas que argumentos se podem apontar a cada uma das posições defendidas ?
Aqueles que advogam o aumento do salário mínimo defendem que uma tal medida permitiria injetar na economia uma massa significativa de dinheiro, e, por conseguinte, proporcionaria o aumento do consumo interno, ajudando assim a estimular a economia.
Para os defensores desta medida, o acréscimo do salário mínimo, não traria perdas significativas de produtividade das empresas, e, os ganhos com o estímulo económico permitiriam mesmo ultrapassar eventuais aspetos negativos da medida.
Então, por que é que uma tal medida pode se revelar contraprudecente na ótica do governo ?
Analisemos então a situação.
A esmagadora maioria dos assalariados, que ganham o salário mínimo, trabalham em empresas pequenas, com baixos níveis de produtividade, e em situação económica e financeira instável ou periclitante. Ou seja, mesmo para pequenos acréscimos de custos, o risco de insolvência para estas empresas, iria aumentar significativamente. As grandes empresas e as que têm níveis de produtividade elevados, raramente empregam trabalhadores com base no salário mínimo.
Quer isto dizer que, um aumento do salário mínimo, iria colocar em risco precisamente aquelas empresas que mais dificuldades têm, e que poderiam, no curto prazo, evidenciar um risco de insolvência maior. Uma tal situação, colocaria mesmo em risco muitos postos de trabalho, para além de não estimular qualquer acréscimo na contratação de novos trabalhadores.
Em resumo, numa situação em que o nível de desemprego é preocupante, o aumento do salário mínimo poderia aumentar ainda mais o nível de desemprego, em vez de aumentar o nível de empregabilidade, resultante de um evnetual estímulo económico interno.
É curiso verificar que na Alemanha, precisamente o país com maior nível de competitividade na Europa, não é fixado administrativamente qualquer salário mínimo. Os salários são fixados pelas empresas, atendendo ao nível de competividade que as mesmas têm, e que é comportável com a sua dinâmica empresarial.
Se é certo que acréscimos salariais também servem para forçar as empresas a investirem em novos modelos de negócio, por forma a obterem ganhos de produtividade que compensem os aumentos de custos laborais, na situação atual, de escassez de capitais para investimento, os aumentos salariais dificilmente teriam esse efeito.
No momento atual, em que ainda há setores de atividade dinâmicos, melhor seria que os sindicatos reivindicassem melhorias salariais naqueles cujos níveis de produtividade são compatíveis com aumentos de salários. Tal como os cortes cegos na despesa podem-se revelar dessatrosos, também os aumentos cegos do salário mínimo poderão revelar-se contraprudecentes, tendo um efeito contrário ao pretendido, ou seja a promoção do emprego.
domingo, 3 de março de 2013
MANIFESTAÇÃO DE 2 DE MARÇO
Muitos têm sido os palpites acerca do número de manifestantes que desfilaram no dia 2 de março de 2013.
Quanto a isso não há grandes novidades. A guerra dos números é constante e recorrente.
Contudo, a estimativa apresentada pela organização merece um comentário. Quando se avança para números, só de Lisboa, em redor de 800 mil ou até mesmo 1 milhão de manifestantes, não é necessário ser um grande matemático para se concluir que se trata de pura e ignóbil demagogia.
Tentar fazer crer que nas ruas esteve uma massa tão grande de manifestantes, só pode ser igualável ao mais puro e básico político demagogo com as suas promessas eleitorais.
É tempo de a população, que tanto critica os políticos com a sua demagogia, não se aliar a estes, com o mesmo tipo de postura. Caso contrário, quaisquer reivindicações que faça, deixam de ter qualquer credibilidade, ainda que na sua essência sejam justas.
Quando se critica os outros, não se pode usar dos mesmos "tiques" daqueles que criticamos, a não ser que não estejamos muito interessados em fazer valer as nossas convicções.
Independentemente da maior ou menor justeza do protesto de 2 de março, aquelas centenas de milhar de portugueses que estiveram na ruas de Lisboa, Porto e outras cidades do país, não mereciam, que quem os convidou a manifestar, sofressem da mesma doença demagoga daqueles que eles criticam.
Quanto a isso não há grandes novidades. A guerra dos números é constante e recorrente.
Contudo, a estimativa apresentada pela organização merece um comentário. Quando se avança para números, só de Lisboa, em redor de 800 mil ou até mesmo 1 milhão de manifestantes, não é necessário ser um grande matemático para se concluir que se trata de pura e ignóbil demagogia.
Tentar fazer crer que nas ruas esteve uma massa tão grande de manifestantes, só pode ser igualável ao mais puro e básico político demagogo com as suas promessas eleitorais.
É tempo de a população, que tanto critica os políticos com a sua demagogia, não se aliar a estes, com o mesmo tipo de postura. Caso contrário, quaisquer reivindicações que faça, deixam de ter qualquer credibilidade, ainda que na sua essência sejam justas.
Quando se critica os outros, não se pode usar dos mesmos "tiques" daqueles que criticamos, a não ser que não estejamos muito interessados em fazer valer as nossas convicções.
Independentemente da maior ou menor justeza do protesto de 2 de março, aquelas centenas de milhar de portugueses que estiveram na ruas de Lisboa, Porto e outras cidades do país, não mereciam, que quem os convidou a manifestar, sofressem da mesma doença demagoga daqueles que eles criticam.
sábado, 2 de março de 2013
AS PROPOSTAS DO PS
Esta semana, o líder do PS apresentou as suas propostas para tirar o País da crise.
Entre outras, propõe:
1) descer o IVA da restauração
2) aumentar o salário mínimo
3) aumentar algumas prestações sociais
4) criar mecanismos de incentivos para a reabilitação urbana.
Tanto alarido para tão pouca, ou nenhuma, eficácia.
Quanto à descida do IVA, no curto prazo (nunca menos de 1 ano), apenas serviria para que a restauração aumentasse a sua margem de lucro, ainda que pudesse salvar alguns restaurantes que estivessem na pré falência.
Quanto ao aumento do salário mínimo, neste momento, o que provocaria era atirar para a falência imediata, um conjunto de empresas que neste momento estão no limbo da sobrevivência. Ou seja, criava mais desemprego em vez de ajudar a resolver a crise. E o que se ganhava com a medida anterior, era imediatamente anulado por esta. Grande esperteza.
Quanto ao aumento das prestações sociais, a origem do financiamento para tal medida não poderia ser outro senão mais impostos. Ou seja, os portugueses estão afogados em impostos e o PS propõe como medida milagrosa, para a solução da crise, a subida de mais impostos.
Quanto à criação de incentivos à reabilitação urbana, já existem vários e sem grande ou nenhum efeito prático.
Em resumo, nenhuma ou insignificante alteração ao status quo surtiriam tais medidas. Apetece-me dizer que se a ignomínia gerasse rendimento, os problemas financeiros do país já estavam resolvidos. Haja paxorra para aturar esta gente.....
Entre outras, propõe:
1) descer o IVA da restauração
2) aumentar o salário mínimo
3) aumentar algumas prestações sociais
4) criar mecanismos de incentivos para a reabilitação urbana.
Tanto alarido para tão pouca, ou nenhuma, eficácia.
Quanto à descida do IVA, no curto prazo (nunca menos de 1 ano), apenas serviria para que a restauração aumentasse a sua margem de lucro, ainda que pudesse salvar alguns restaurantes que estivessem na pré falência.
Quanto ao aumento do salário mínimo, neste momento, o que provocaria era atirar para a falência imediata, um conjunto de empresas que neste momento estão no limbo da sobrevivência. Ou seja, criava mais desemprego em vez de ajudar a resolver a crise. E o que se ganhava com a medida anterior, era imediatamente anulado por esta. Grande esperteza.
Quanto ao aumento das prestações sociais, a origem do financiamento para tal medida não poderia ser outro senão mais impostos. Ou seja, os portugueses estão afogados em impostos e o PS propõe como medida milagrosa, para a solução da crise, a subida de mais impostos.
Quanto à criação de incentivos à reabilitação urbana, já existem vários e sem grande ou nenhum efeito prático.
Em resumo, nenhuma ou insignificante alteração ao status quo surtiriam tais medidas. Apetece-me dizer que se a ignomínia gerasse rendimento, os problemas financeiros do país já estavam resolvidos. Haja paxorra para aturar esta gente.....
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
SOBERANIA PARTILHADA
Muito se tem falado acerca da necessidade de partilhar soberania com a UE.
Uns vêem-na como uma possibilidade de criar novas oportunidades para o expansionismo das políticas orçamentais. Nesse entendimento tem alinhado o PS, que durante muito tempo defendeu como solução para a crise os EUROBONDS, ou seja, a emissão de dívida de cada um dos países da UE mutualizada pelos restantes países (lei-se com garantia dos restantes países).
Mas será que é isso que representa mesmo a partilha de soberania que é proposta pela comissão europeia e a única admitida pelos países mais ricos da UE ?
Não me parece de todo.
Na realidade, a partilha que a Comissão Europeia e alguns países mais ricos têm admitido é aquela que tem subjacente uma maior vigilância e rigor das políticas orçamentais a seguir pelos países da UE, por forma a evitar riscos de insolvência dos países.
Mas esta partilha de soberania o PS e os partidos à sua esquerda não querem. O que o pretendem é que a UE dê mais dinheiro, de preferência a fundo perdido, e promova investimentos públicos, com o aval da UE, para grandes projetos de infraestruturas (mesmo que não representem qualquer retorno financeiro ou económico, positivo). Ou seja, admitem uma espécie de "governo central da UE" apenas para disponibilizar dinheiro aos vários membros (mesmo que para isso instigue ou promova o BCE a emitir moeda), e que desenvolva/promova grandes projetos, quanto mais megalómanos melhor, permitindo promover a imagem dos governos nacionais (pois estes têm que se ocupar com inaugurações, visitas e ganhar eleições).
Não sei porquê, mas esta abordagem tem um leve cheirinho a bananas da Madeira, que de doces já não têm muito, e estão em risco de cair de podres se não houver uma safra urgente. Vá-se lá saber porquê ??
Uns vêem-na como uma possibilidade de criar novas oportunidades para o expansionismo das políticas orçamentais. Nesse entendimento tem alinhado o PS, que durante muito tempo defendeu como solução para a crise os EUROBONDS, ou seja, a emissão de dívida de cada um dos países da UE mutualizada pelos restantes países (lei-se com garantia dos restantes países).
Mas será que é isso que representa mesmo a partilha de soberania que é proposta pela comissão europeia e a única admitida pelos países mais ricos da UE ?
Não me parece de todo.
Na realidade, a partilha que a Comissão Europeia e alguns países mais ricos têm admitido é aquela que tem subjacente uma maior vigilância e rigor das políticas orçamentais a seguir pelos países da UE, por forma a evitar riscos de insolvência dos países.
Mas esta partilha de soberania o PS e os partidos à sua esquerda não querem. O que o pretendem é que a UE dê mais dinheiro, de preferência a fundo perdido, e promova investimentos públicos, com o aval da UE, para grandes projetos de infraestruturas (mesmo que não representem qualquer retorno financeiro ou económico, positivo). Ou seja, admitem uma espécie de "governo central da UE" apenas para disponibilizar dinheiro aos vários membros (mesmo que para isso instigue ou promova o BCE a emitir moeda), e que desenvolva/promova grandes projetos, quanto mais megalómanos melhor, permitindo promover a imagem dos governos nacionais (pois estes têm que se ocupar com inaugurações, visitas e ganhar eleições).
Não sei porquê, mas esta abordagem tem um leve cheirinho a bananas da Madeira, que de doces já não têm muito, e estão em risco de cair de podres se não houver uma safra urgente. Vá-se lá saber porquê ??
MENOS AUSTERIDADE
O Líder do PS tem, de forma insistente, reclamado por menos austeridade e mais crescimento. Para isso, não se eximiu mesmo de enviar cartas aos líderes europeus, ao presidente do BCE e FMI.
Em resposta, pelo menos da presidente do FMI, obteve uma compreensão para a necessidade de se incentivar o crescimento, mas sem descurar a necessidade de redução do défice. O presidente do BCE, sem responder com o mesmo formalismo do FMI (ou seja por carta), teve o ensejo de em conferência de imprensa, e em resposta a uma questão colocado no mesmo sentido, ter afirmado que a política de redução do défice deve ser continuado.
Ou seja, os nossos financiadores atuais, só estão dispostos a emprestarem-nos dinheiro se prosseguirmos com a política de redução do défice. Por que será ?
Não é difícil de compreender tão "inusitada teimosia" segundo alguns. É que, de políticas expansionistas tivémos como resultado défices crescentes. E isso pela simples razão que o Estado não produz nada, só paga pensões, financia a escolaridade obrigatória e suporta as despesas de saúde, para além de, pelo caminho, ir construindo umas auto estradas em duplicado, triplicado e estudos e mais estudos sobre TGV's inexistentes.
O crescimento esse faz-se pela via privada, com dinheiros privados (os únicos que exigem rentabilidade para os projetos de investimento) e em prol da satisfação das necessidades do mercado.
Em vez de se propor menos austeridade, para atingir o crescimento económico, melhor seria discutir a necessidade de rever as funções do estado, para se poder gastar menos, e, por fim, poder exigir menos austeridade, a qual por sua vez daria uma ajuda não desprezível ao tão desejado crescimento económico.
Pelo contrário, o que o PS parece advogar, é reduzir a austeridade (leia-se menos impostos), mantendo o mesmo nível de despesa (portanto endividando-nos mais para suportar o nível de despesa que o Estado tem), para proporcionar crescimento económico (de preferência com grande obra pública não reprodutiva).
Foi precisamente esta receita que levou à seguinte estatística, na primeira década do século XXI. Em Portugal, e em média, por cada acréscimo de 10% no endividamento público, o Estado obteve um acréscimo de 28% do défice público e um crescimento do PIB de 0,5%. Onde está a geração de riqueza para pagar os empréstimos que obtivémos ? Onde está o crescimento económico ?
O crescimento económico é imprescindível, mas não à custa de endividamento do estado para investir em obra não reprodutiva e para suportar despesa do Estado que a economia não consegue sustentar. É que nesse caso, ficamos com a dívida, e não geramos riqueza para a pagar. Os únicos a ganhar com a situação são os beneficiários da obra pública e da despesa do Estado. Foi o que aconteceu, pelo menos, na última década. E depois queixem-se de que têm de pagar muitos impostos.
Os únicos incentivos que nesta fase o Estado português pode dar ao investimento é proporcionar agilidade nos licenciamentos, conceder alguns incentivos fiscais (cirúrgicos e dependentes de criação de emprego), decidir rapidamente sobre os apoios comunitários disponíveis para as empresas e colocar a máquina administrativa e consular do Estado no apoio às empresas, nomeadamente no que concerne à exportação.
Em resposta, pelo menos da presidente do FMI, obteve uma compreensão para a necessidade de se incentivar o crescimento, mas sem descurar a necessidade de redução do défice. O presidente do BCE, sem responder com o mesmo formalismo do FMI (ou seja por carta), teve o ensejo de em conferência de imprensa, e em resposta a uma questão colocado no mesmo sentido, ter afirmado que a política de redução do défice deve ser continuado.
Ou seja, os nossos financiadores atuais, só estão dispostos a emprestarem-nos dinheiro se prosseguirmos com a política de redução do défice. Por que será ?
Não é difícil de compreender tão "inusitada teimosia" segundo alguns. É que, de políticas expansionistas tivémos como resultado défices crescentes. E isso pela simples razão que o Estado não produz nada, só paga pensões, financia a escolaridade obrigatória e suporta as despesas de saúde, para além de, pelo caminho, ir construindo umas auto estradas em duplicado, triplicado e estudos e mais estudos sobre TGV's inexistentes.
O crescimento esse faz-se pela via privada, com dinheiros privados (os únicos que exigem rentabilidade para os projetos de investimento) e em prol da satisfação das necessidades do mercado.
Em vez de se propor menos austeridade, para atingir o crescimento económico, melhor seria discutir a necessidade de rever as funções do estado, para se poder gastar menos, e, por fim, poder exigir menos austeridade, a qual por sua vez daria uma ajuda não desprezível ao tão desejado crescimento económico.
Pelo contrário, o que o PS parece advogar, é reduzir a austeridade (leia-se menos impostos), mantendo o mesmo nível de despesa (portanto endividando-nos mais para suportar o nível de despesa que o Estado tem), para proporcionar crescimento económico (de preferência com grande obra pública não reprodutiva).
Foi precisamente esta receita que levou à seguinte estatística, na primeira década do século XXI. Em Portugal, e em média, por cada acréscimo de 10% no endividamento público, o Estado obteve um acréscimo de 28% do défice público e um crescimento do PIB de 0,5%. Onde está a geração de riqueza para pagar os empréstimos que obtivémos ? Onde está o crescimento económico ?
O crescimento económico é imprescindível, mas não à custa de endividamento do estado para investir em obra não reprodutiva e para suportar despesa do Estado que a economia não consegue sustentar. É que nesse caso, ficamos com a dívida, e não geramos riqueza para a pagar. Os únicos a ganhar com a situação são os beneficiários da obra pública e da despesa do Estado. Foi o que aconteceu, pelo menos, na última década. E depois queixem-se de que têm de pagar muitos impostos.
Os únicos incentivos que nesta fase o Estado português pode dar ao investimento é proporcionar agilidade nos licenciamentos, conceder alguns incentivos fiscais (cirúrgicos e dependentes de criação de emprego), decidir rapidamente sobre os apoios comunitários disponíveis para as empresas e colocar a máquina administrativa e consular do Estado no apoio às empresas, nomeadamente no que concerne à exportação.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
CONGRESSO NO PS
Quando o País político se preparava para degladiar as questões relativas à necessidade de reduzir 4 mil milhões de euros da despesa pública, os noticiários nacionais foram surpreendidos pela eminência da discussão na liderança do PS.
José Seguro foi surpreendido pela vontade dos seus antagonistas, que de forma silenciosa, vinham congeminando a sua substituição, em forçarem a realização do congresso do partido, para a eleição do líder para os próximos anos.
Anteriormente, era suposto que esse congresso se iria realizar, apenas, após as eleições autárquicas. Mas tal, parece que foi antecipado pela vontade voraz dos opositores de José Seguro.
Mas será que António Costa será um melhor líder para o PS ? Uma coisa é certa. Parte substancial dos derrotados do PS, próximos da linha de José Socrates, estão com António Costa.
José Seguro, na sua curta liderança, tentou, quanto pôde, afastar-se da imagem de José Socrates. Mas uma tal estratégia não foi bem vista pelos próximos do anterior primeiro ministro.
Esta facada nas costas a José Seguro pode não resultar a favor de António Costa. Pode mesmo ter como resultado afundar qualquer expetativa futura do núcleo próximo do ex primeiro ministro.
Para já, sabemos que António Costa recuou. Atrevo-me a interpretar um tal recuo como a caída na "real" do putativo candidato António Costa. Ou seja, este, logo que se apercebeu que o aparelho que agora domina o partido não estava para ali virado, evitou o confronto.
Mas será que o PS precisa da velha guarda, cheia de currículos duvidosos em matéria de governação ? É tempo de o PS perceber que a água não passa duas vezes pela mesma ponte. Os tempos são outros, e, por isso, também o PS precisa de novas lideranças. Seja com Seguro ou com outro membro do PS, mas seguramente não com os mesmos que já têm cadastro político e que chumbaram no exame das eleições.
José Seguro foi surpreendido pela vontade dos seus antagonistas, que de forma silenciosa, vinham congeminando a sua substituição, em forçarem a realização do congresso do partido, para a eleição do líder para os próximos anos.
Anteriormente, era suposto que esse congresso se iria realizar, apenas, após as eleições autárquicas. Mas tal, parece que foi antecipado pela vontade voraz dos opositores de José Seguro.
Mas será que António Costa será um melhor líder para o PS ? Uma coisa é certa. Parte substancial dos derrotados do PS, próximos da linha de José Socrates, estão com António Costa.
José Seguro, na sua curta liderança, tentou, quanto pôde, afastar-se da imagem de José Socrates. Mas uma tal estratégia não foi bem vista pelos próximos do anterior primeiro ministro.
Esta facada nas costas a José Seguro pode não resultar a favor de António Costa. Pode mesmo ter como resultado afundar qualquer expetativa futura do núcleo próximo do ex primeiro ministro.
Para já, sabemos que António Costa recuou. Atrevo-me a interpretar um tal recuo como a caída na "real" do putativo candidato António Costa. Ou seja, este, logo que se apercebeu que o aparelho que agora domina o partido não estava para ali virado, evitou o confronto.
Mas será que o PS precisa da velha guarda, cheia de currículos duvidosos em matéria de governação ? É tempo de o PS perceber que a água não passa duas vezes pela mesma ponte. Os tempos são outros, e, por isso, também o PS precisa de novas lideranças. Seja com Seguro ou com outro membro do PS, mas seguramente não com os mesmos que já têm cadastro político e que chumbaram no exame das eleições.
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